Sistema de Tratamento Biológico da Água
 


Água de boa qualidade significa “saúde e vida em abundância”.
O planeta está pedindo socorro.
É preciso cuidar da água para termos vida.
É um bem comum da humanidade, e todos temos o dever de ajudar na sua recuperação.
O desperdício não ajuda ninguém a ficar mais rico nem mais feliz.
Pense, reflita e cuide desse precioso bem.



Introdução

A água é um dos alimentos essenciais à vida e a cada dia é mais agredida. O desmatamento, a erosão, a poluição do solo, dos rios e córregos e o desperdício são fatores que interferem tanto na diminuição  da quantidade de água quanto na sua qualidade.
A melhoria da qualidade da água se dá na junção de várias ações que busquem proteger, recuperar o solo, as matas, as nascentes, as matas ciliares, os rios, córregos, retirando todo tipo de fontes de contaminação/poluição, como dejetos animais e humanos, restos de produtos tóxicos, embalagens e restos de caldas de agrotóxicos, lixões, entre outros.
Segundo a Organização das Nações Unidas – ONU, anualmente morrem mais de 10 milhões de pessoas vítimas de tifo, dengue, malária, hepatite, cólera, diarréias, esquistossomose, etc., todas doenças relacionadas com a água. Assim , buscar soluções que possam contribuir para aumentar a disponibilidade e melhorara qualidade da água é fundamental, e é obrigação dos órgãos públicos que  atuam junto à população rural/pesqueira.

                         

O que é sistema de tratamento biológico da água com de raízes

O sistema de tratamento biológico da água com zona de raízes é um processo muito simples e eficiente, que se destina a tratar a água proveniente de córregos, rios, cachoeiras ou nascentes. As raízes das plantas utilizadas oxigenam a água e utilizam os nutrientes (matéria orgânica) dissolvidos na água para a sua alimentação. Ao redor das raízes vão se formando colônias de bactérias que vão consumindo e transformando a matéria orgânica. Neste processo, as raízes facilitam a eliminação da contaminação bacteriológica (coliformes fecais) e também vão absorvendo metais pesados e resíduos de agrotóxicos.

No sistema de tratamento ocorre a filtração  e a retirada de materiais em suspensão ou dissolvidos na água, tanto no sentido horizontal quanto no vertical. Dessa forma, a água percola todo o leito filtrante. A planta  utilizada pode ser da família das juncáceas ou das gramíneas, como é o caso  da Ziganopsis bonariensis, conhecida como junco brasileiro.


Como tratar biologicamente a água com zona de raízes

O sistema de tratamento biológico da água com zona de raízes é composto de três etapas principais:

Primeira Etapa – cuidados com o local de captação da água:

  • Preservação e/ou  recuperação da floresta ou da mata ciliar, no caso de córrego, rio ou cachoeira.
  • Retirada de fontes de poluição (dejetos humanos, animais, produtos tóxicos).
  • Conservação do solo nas áreas adjacentes.
  • Quando se trata de água de córrego ou cachoeira, é necessária a construção de uma pequena represa ou dique para captar a água a ser canalizada para entro do tanque de tratamento.

Segunda Etapa – construção do tanque de tratamento: onde serão plantadas as mudas do junco num leito filtrante ou substrato com materiais como brita, seixo rolado, areia e cacos de telha ou tijolo.

Terceira Etapa – armazenamento e distribuição da água tratada: reservatório de água capaz de armazenar a água tratada para posterior distribuição ou utilização pelas famílias.

 

Como dimensionar o sistema de tratamento de água

    Para dimensionar o sistema de tratamento biológico de água é necessário considerar os seguintes itens:

    • Volume de água a ser tratada;
    • Turbidez da água (quantidade de sedimentos dissolvidos ou em suspensão na água = areia, argila, limo, matéria orgânica);
    • Tipo de material para o leito filtrante;
    • Largura mínima de 1,5m e comprimento mínimo de 3m, entendendo que esta é a área de tratamento, e um espaço de mais ou menos 30cm (além dos 3m) no comprimento para o controlador de nível;
    • A altura do tanque de tratamento será sempre de 0,70m, relacionada com o comprimento das raízes;
    • A relação entre comprimento (L) e largura (B) deve ficar entre 2 e 4;
    • O número de plantas será cinco ou seis por metro quadrado.

    Quanto ao volume de água, há que se considerar a necessidade de água atual e futura das famílias envolvidas.
    A determinação da turbidez facilita a definição da necessidade do tanque de decantação.
    Material necessário para o leito filtrante: brita nº 2 ou seixo rolado, areia grossa, cacos de telha ou de tijolo. Estes últimos são necessários tanto para a filtração quanto para facilitar o processo do desenvolvimento do junco.
    Para tratar 1000 litros/dia exige-se uma área aproximada de 2,16m2. 

 

Como implantar o sistema de tratamento biológico da água com zona de raízes

            Em caso de córregos:

  • Construir uma pequena represa ou dique para captar a água;
  • Construir, se necessário, um pré-decantador para decantar a matéria orgânica/sedimentos contidos na água.

Em todas as situações:

  • Cuidar de toda a arborização do local;
  • Construir um tanque/caixa de tijolos de maciços e cimento ou de ferrocimento para o tratamento. Este tanque deverá ser impermeável e conter quatro divisórias. Em cada divisória ocorrerá um processo de tratamento com diferentes tipos de material filtrante.

Na Figura 1 observa-se o detalhe do fundo falso da primeira divisória do sistema de tratamento. Este fundo falso tem a função de retirar a matéria orgânica que entra no sistema.

 

Nota: Nas divisórias não há necessidade de paredes, basta um anteparo na colocação do material de filtração no qual será plantado o junco. A única divisória com parede será a do regulador de nível.

Na Figura 2  observa-se a planta do sistema de tratamento de água de forma completa. Nesta figura estão os detalhes da quantidade de material a ser usado em cada divisória, assim como o detalhe da entrada da água e da mangueira flexível que regula o nível de água no sistema.


Como instalar o sistema de tratamento biológico da água com zona de raízes

    Após construir a caixa de tratamento, chega a hora de instalar o sistema. Para tanto, necessita-se colocar o substrato em cada divisória e plantar o junco. O procedimento para a implantação segue estes arranjos:

    • Na primeira divisória coloca-se uma mistura (substrato) de 70% de brita ou seixo rolado e 30% de cacos de tijolo ou telha e planta-se o junco.
    •  Na segunda divisória coloca-se uma mistura (substrato) de 70% de areia grossa e 30% de cacos de telha ou tijolo e planta-se o junco.
    • Na terceira divisória preenche-se o espaço somente com areia grossa. Neta divisória não se planta o junco e se coloca uma tampa, pois este espaço é  parte final do processo de tratamento.
    • Coloca-se um registro na entrada da água para a caixa de tratamento e um cano flexível na saída da água tratada para regular o nível e a quantidade de água aser tratada.

 

Por que o junco?

      O junco tem vantagens frente às demais plantas aquáticas: o comprimento de suas raízes, a capacidade de oxigenação da água e a baixa necessidade de manutenção, como podas e retirada de mudas, entre outras. As plantas aquáticas aproveitam o nitrogênio dissolvido na água e retiram a matéria orgânica. Sua função é de filtrar a água, retendo nas suas células metais pesados, fenóis, resíduos de agrotóxicos, entre outros. Criam, ainda, um ambiente propício para a diminuição dos coliformes fecais.
      Optou-se pelo junco, pois, além de se adaptar muito bem nas várias regiões do Estado, é menos exigentes no manuseio, o que não acontece com outras plantas aquáticas.
(Fonte EPAGRI)

           

 
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