Rede Coletora de Esgotos Sanitários



Introdução

Grande parte da água distribuída nas edificações transforma-se em esgoto, o qual deve ser coletado e tratado antes de ser lançado no solo ou em corpos d’água. Numa cidade, existem diversos tipos de esgoto, com suas características variando em função dos usos da água. Por exemplo: têm-se os esgotos industriais, diferentes para os vários tipos de fábricas, os esgotos hospitalares e os esgotos domésticos, produzidos nos domicílios.

Os esgotos domésticos são os que provêm principalmente de residências, edifícios comerciais, instituições ou quaisquer outras edificações que contenham instalações de banheiros, lavanderias, cozinhas ou outros dispositivos de utilização de água para fins domésticos.

Os esgotos industriais, além da matéria orgânica, podem carrear substâncias químicas tóxicas ao homem e a outros animais. Os esgotos industriais devem ser considerados caso a caso, e efetuar um tratamento conforme suas características.
Sendo assim a  disposição adequada dos esgotos é essencial para a proteção da saúde pública e para a preservação do meio ambiente.

Aproximadamente, cinqüenta tipos de infecções podem ser transmitidas de uma pessoa doente para uma sadia por diferentes caminhos, envolvendo os excretas humanos.

Os esgotos, ou excretas, podem contaminar a água, o alimento, os utensílios domésticos, as mãos, o solo ou ser transportados por moscas, baratas, roedores, provocando novas infecções.

Além disso as  substâncias presentes nos esgotos exercem ação deletéria nos corpos de água: a matéria orgânica pode causar a diminuição da concentração de oxigênio dissolvido provocando a morte de peixes e outros organismos aquáticos, escurecimento da água e exalação de odores desagradáveis; é possível que os detergentes presentes nos esgotos provoquem a formação de espumas em locais de maior turbulência da massa líquida; defensivos agrícolas determinam a morte de peixes e outros animais. Há, ainda a possibilidade de eutrofização pelo excesso de nutrientes, provocando o crescimento acelerado de algas que conferem odor, gosto e biotoxinas à água.

As soluções para o esgoto podem ser individuais ou coletivas. Em cidades, é recomendável que exista sistema coletivo de esgotamento, composto de uma rede coletora e de uma estação de tratamento para as águas residuárias.
No Brasil se adota o sistema tipo separador absoluto, onde os sistemas coletores de esgoto são independentes dos sistemas coletores de águas pluviais.
As soluções individuais são indicadas para o meio rural ou para áreas de residências esparsas, mas infelizmente, no Brasil ainda são poucas as cidades que dispõem de sistemas coletivos, tornando-se necessárias muitas vezes a adoção de sistemas individuais, o que nem sempre se constitui solução adequada.

Objetivos a serem atingidos com sistemas coletivos de esgotos:

Sanitários
Prevenção de doenças
 Remoção rápida e segura dos esgotos
Tratamento adequado dos esgotos
Disposição sanitária dos esgotos, por meio do lançamento adequado dos mesmos em corpos receptores naturais
Sociais
Segurança e conforto
Eliminação de aspectos ofensivos ao senso estético e desaparecimento dos odores fétidos
Possibilita a utilização dos cursos d’água urbanos como elementos de recreação e práticas esportivas
Econômicos

Conservação dos recursos naturais
Diminuição dos custos no tratamento de água para abastecimento urbano e industrial
Cria melhores condições para o desenvolvimento de atividades econômicas, como por exemplo, o turismo
Evitar a depreciação dos patrimônios, pois os proprietários de áreas a jusante dos lançamentos de esgotos  têm direitos legais ao uso da água em seu estado natural

 

 

Como funciona uma rede coletora de esgotos sanitários

O sistema coletivo de esgotos é composto por: rede coletora, estação de tratamento de esgotos (ETE) e o lançamento final em um corpo receptor.Compreende-se por redes coletoras de esgotos sanitários o conjunto de canalizações destinadas à coleta e transporte de esgotos domésticos

e industriais a um destino conveniente, incluindo seus elementos acessórios e complementares (estações de recalque, poços de visita, etc).A rede coletora recebe os esgotos produzidos nas residências, indústrias e no comércio, sendo  composta pelos coletores secundários, coletores principais (coletores-tronco) e interceptor.

Os esgotos são transportados pelos ramais prediais das edificações para os coletores secundários, destes para os coletores-tronco e, daí, para o interceptor, que é a tubulação final da rede, a qual margeia cursos d’água, canais ou mar, e que encaminha os esgotos à Estação de Tratamento de Esgoto.

O líquido escoa dentro das tubulações a no máximo 75% da sessão dos tubos, ou seja, não é preenchido todo o conteúdo da canalização. 
 O bom escoamento é conseqüência da auto-limpeza, obtida através de valores mínimos de velocidade e de altura molhada, para a vazão máxima de cálculo.
O lixo e água de chuva são os maiores inimigos das redes de esgotos. O lixo que vai para as redes de esgoto entope os tubos, impedindo a passagem do esgoto, e fazendo com que as redes se rompam; as águas de chuva quando vão para as redes de esgoto causam extravasamentos. A água de chuva “enche” toda a tubulação de esgoto, pressionado as paredes dos tubos  fazendo com que se rompam,  provocando refluxos.





Se possível, todo o escoamento  do esgoto deve se dar apenas pela ação da gravidade, mas dependendo das profundidades que os coletores alcancem pode ser necessária a instalação de estações elevatórias, com o objetivo de recalcar o esgoto para níveis mais elevados, evitando-se grandes escavações.

A escolha do tipo de traçado da rede coletora (longitudinal, perpendicular, espinha de peixe, radial, etc) dependerá principalmente da topografia do terreno (terreno plano, acidentado, etc).

O acesso à rede, para fins de manutenção e limpeza, é feito através dos poços de visita.

A escolha do corpo receptor do efluente da estação de tratamento é outro aspecto importante. Mesmo tratado, o esgoto ainda contém impurezas capazes de causar a poluição dos corpos hídricos. Deve-se levar em consideração a capacidade de autodepuração do corpo d’água, assim como os usos dado a água em locais à jusante do lançamento do efluente tratado.




Aspectos básicos de projeto e dimensionamento de uma rede coletora de esgotos sanitários:

a) Dimensionamento da Rede

  • Cálculo do período ou alcance do projeto
  • Cálculo da população de projeto
  • Previsão da distribuição da população
  • Estimativa das variações das vazões diárias e horárias máximas e mínimas
    • Per capita
    • Industrial
    • De infiltração










  • Cálculo das vazões que podem escoar pelas tubulações em cada trecho
  • Levantamento do perfil topográfico das ruas em cada trecho
  • Levantamento  do comprimento dos tubos em cada trecho
  • Cálculo dos diâmetros dos tubos de cada trecho
  • Determinação do tipo de traçado da rede
  • Determinação das cotas topográficas em que serão assentados os coletores, isto é, a profundidade em que ficará cada coletor no terreno, em cada ponto da rede.

 

b) Condições Técnicas a Serem Satisfeitas pela Rede Segundo as Normas de Projeto (condições mais comuns)

- O sistema ser do tipo separador absoluto
- As edificações atendidas deverão ter tratamento primário (ex. caixa de gordura)
- A rede deve trabalhar sob regime de escoamento livre
- Lamina líquida máxima
- Declividade mínima dos condutos
- Velocidade mínima de escoamento
- Descarga máxima no trecho
- Diâmetro máximo das tubulações








Obs: As condições técnicas de projeto podem variar conforme a região atendida.


c) Determinação das Tubulações, Órgãos Acessórios e Seções Especiais

  • Materiais empregados
  • Poços de visita
  • Estações elevatórias
  • Emissários
  • Seções de canalizações de grandes dimensões
  • Caixas coletoras
  • Poços coletores
  • Bombas

 


Considerações finais


Um bom projeto de uma rede coletora de esgotos sanitários deve prever, em todas suas etapas de  construção, todos os aspectos que levem em conta proporcionar o mínimo de incômodo à população.
Para a conservação e manutenção da rede é importante a existência de um cadastro que permita conhecer a posição de qualquer parte ou componente  integrante  do sistema.
Também para se garantir uma boa conservação e manutenção deve-se realizar inspeções periódicas, com profissionais habilitados.
Realizar, concomitante à obra, um programa de conscientização da população a respeito da importância do sistema é fundamental para promover o conhecimento ecológico, além de incentivar as pessoas a preservar, evitando a disseminação de ligações clandestinas.

 
 
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