Compostagem
 

 

A compostagem é uma técnica milenar, praticada pelos chineses há mais de cinco mil anos. Nada muito diferente do que natureza faz há bilhões de anos desde que surgiram os primeiros microorganismos decompositores.
Tradicionalmente a compostagem é vista como uma prática usual em propriedades rurais e centrais de reciclagem de resíduos.

No primeiro caso é uma estratégia do agricultor para transformar os resíduos agrícolas em adubos essenciais para a prática da agricultura orgânica. No segundo é uma necessidade administrativa, que tem a intenção de diminuir o volume do material a ser gerenciado além de estabilizar um material poluente.
O lixo industrial e doméstico se enquadra no sentido mais abrangente de poluição, mas quando analisado sob diversos aspectos, pode também ser visto como um problema social ou, ao contrário, como uma solução, ou pelo menos, paliativo para vários outros problemas.
É um processo biológico aeróbio de decomposição e estabilização da matéria orgânica, sob condições controladas que permitam o desenvolvimento de temperaturas termofílicas como resultado de um calor produzido biologicamente, para produzir um produto final que é estável, livre de patogênicos e de sementes de plantas, e que pode ser aplicado ao solo” (Haug 1993).



Foto ciclo produtivo da matéria orgânica para compostagem

A compostagem é essencial na redução de resíduos domésticos. Ela pode ser feita sem muitos gastos em qualquer domicílio e produz o composto fertilizante ou húmus, que pode beneficiar o meio ambiente como fertilizante natural em jardins e na agricultura.

O produto final da denominado de composto orgânico (ou húmus), o qual pode ser utilizado como um condicionador do solo, melhorando as características do mesmo. É importante lembrar que o composto orgânico não substitui totalmente a utilização do adubo químico (minerais ou inorgânicos), pois este possui maior quantidade de nutrientes (basicamente nitrogênio, fósforo e potássio) que aquele.



Foto de Leiras de compostagem. Fazenda experimental da Embrapa.

O sucesso da aplicação deste processo depende da produção de um composto de boa qualidade para que o mesmo tenha boa aceitação no mercado, para isto faz-se necessário além do correto dimensionamento do sistema por pessoal qualificado, um controle constante de parâmetros como: umidade, temperatura, oxigenação, concentração de nutrientes e pH. Uma triagem do resíduo da população procurando separar deste somente a parte orgânica é um pré-requisito ao sistema.

Vantagens da Compostagem:

  • Melhora da saúde do solo. A matéria orgânica composta se liga às partículas (areia, limo e argila), ajudando na retenção e drenagem do solo melhorando sua aeração;
  • Aumenta a capacidade de infiltração de água, reduzindo a erosão;
  • Dificulta ou impede a germinação de sementes de plantas invasoras;
  • Aumenta o numero de minhocas, insetos e microorganismos desejáveis, devido a presença de matéria orgânica, reduzindo a incidência de doenças de plantas;
  • Mantêm a temperatura e os níveis de acidez do solo;
  • Ativa a vida do solo, favorecendo a reprodução de microorganismos benéficos às culturas agrícolas;
  • Possibilita a resolução do problema da deposição final de grande parte dos resíduos sólidos urbanos.
  • Redução do lixo destinado ao aterro, com a conseqüente economia com os custos de aterro e aumento de sua vida útil;
  • Aproveitamento agrícola da matéria orgânica;
  • Processo ambientalmente seguro;
  • Eliminação de patógenos;
  • Economia de tratamento de efluentes.

Possíveis problemas da compostagem: Produção de odores, produção de biogás, riscos para a saúde pública, presença de metais pesados.

 

Etapas da Decomposição

Primeira fase

a) Normalmente denominada decomposição: ocorre a decomposição da matéria orgânica facilmente degradável, como por exemplo, carboidratos.

b) A temperatura pode chegar a 65-70ºC. Nesta temperatura, durante um período de cerca de 15 dias, é possível eliminar as bactérias patogênicas, como por exemplo, as salmonelas, ervas - inclusive as daninhas, ovos de parasitas, larvas de insetos, etc.

c) Esta fase demora de 10 a 15 dias. É comum colocar sobre o material uma camada de cerca de 10-30 cm de composto maduro para manter o euilíbrio interno do material (sem perda de calor e umidade).

d) Nesta faze, proteínas, aminoácidos, lipídios e carboidratos são rapidamente  decompostos em água, gás carbônico e nutrientes (compostos de nitrogênio, fósforo, etc.) pelos microorganismos, liberando calor.

e) Temperaturas acima de 75º indicam condições inadequadas e podem causar a produção de odores, devendo ser evitadas. Nesta temperatura, ocorrem reações químicas no processo e não mais ação biológica por microorganismos termófilo.

Segunda fase

a) A fase de semimaturação: os participantes freqüentes desta fase são as bactérias, actinomicetos e fungos. A temperatura fica na faixa de 45 - 30ºC e o tempo pode variar de 2 a 4 meses.

Terceira fase

a) A fase de maturação/humificação: nesta fase, celulose e lignina são transformados em substâncias húmicas, que caracterizam o composto, pelos pequenos animais do solo como por exemplo às minhocas. A temperatura cai na faixa de 25-30ºC.

b) O húmus (composto) é um tipo de matéria orgânica mais resistente à decomposição pelos microorganismos. No solo, as substâncias húmicas vão sendo lentamente decompostas pelos microorganismos e liberando nutrientes que são utilizados pelas raízes das plantas.


 
 
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